domingo, 5 de maio de 2013
Crimes brutais, mortes coletivas e as reações do público e das autoridades
Quando um crime ou uma tragédia chocam o público, surgem as mais diversas reações, inclusive tentativas de análise sob a ótica filosófica e religiosa (incluindo a espírita).
O mais recente desses casos foi o assassinato da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, no dia 25 de abril. Ela foi assaltada no consultório, feita de refém até que os bandidos pudessem sacar o dinheiro de sua conta, e queimada viva após a quadrilha perceber que ela tinha apenas trinta reais na conta bancária.
As reações começaram, com a polícia fazendo a captura dos assassinos uma questão de honra, e a declaração do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin sobre a diminuição da maioridade penal (e da agitação dos grupos favoráveis à pena de morte, vendo uma oportunidade para propor a alteração da Constituição para que esse tipo de condenação seja aprovado).
Há, é claro, aqueles que não se deixam levar pelo momento e têm um posicionamento contrário às duas teses.
Pelos comentários na imprensa, a dentista pode vir a se tornar, dentro do meio católico, mais uma candidata a santa, devido ao seu caráter e à forma como morreu.
E sob a ótica espírita?
Alguns poderão pensar que ela resgatou algo de encarnações passadas, pela forma como morreu. Hipoteticamente, não estariam errados, mas seria pouco caridoso com ela, seus familiares e amigos, imaginando-a como um monstro em outras encarnações, talvez um inquisidor que levou à fogueira milhares de pessoas acusadas de heresia.
Outro cenário possível seria o de alguém que passou por uma prova, e não uma expiação, a fim de acelerar sua evolução. Para que fim, no nosso mundo? Talvez para provocar o tipo de discussão que está se desenrolando neste momento. Mas se é esse o fim, acredito que ela não gostaria de se tornar uma mártir da volta da pena de morte. Uma charge, encontrada no Facebook, retrata bem o dilema:
uma criança pobre sonha com um uniforme escolar enquanto o governador Alckmin banca o alfaiate, que toma as medidas do garoto pensando no uniforme de presidiário dele.
Existe, porém, um outro componente a se considerar: o livre arbítrio. Tanto de quem ateou o fogo como o da dentista, agora na espiritualidade. A quadrilha poderia ter deixado pra lá, ou ter dado, talvez, um tapa e ameaçado a dentista, deixando-a viva, em vez de matá-la. Isso geraria um trauma, certamente, mas algo que poderia ser trabalhado nesta encarnação. Em vez disso, todos os que participaram do crime têm agora uma carga expiatória pesada a aliviar, de acordo com o grau de envolvimento e o sentimento sobre o ocorrido. Se tiver surgido um princípio de arrependimento, essa pessoa começará a trilhar essa via mais rapidamente.
Mas porque da dentista também?
Ela implorou pela sua vida aos bandidos. Aparentemente, não estava preparada para morrer, como os mártires cristãos. Então, há algumas possibilidades de envolvimento com a situação e com seus algozes, de acordo com a visão espírita. Algumas nada agradáveis.
A pior, ou talvez uma alternativa muito ruim, é ela se revoltar com a forma como foi morta e passar a obsediar seus assassinos. Isso levaria a séculos de ajustes e tentativas de reconciliação nas diversas encarnações subsequentes, obtendo um grau relativo de sucesso ou fracasso. Essa revolta a levaria ao umbral, onde se afinaria com outros inimigos deles e poderá atrasar em muito a sua evolução espiritual.
Ela poderá, também, após algum esclarecimento, rapidamente se recuperar do desencarne traumático, e se for tão boa pessoa quanto os depoimentos na imprensa pintam, poderá superar o acontecido. Eventuais acessos de mágoa e tristeza poderão advir, mas o ódio poderá ser controlado de maneira a mantê-la em uma colônia parecida com Nosso Lar sem problemas. Ela poderá, em encarnações futuras, desenvolver fobias relacionadas com a forma como desencarnou nesta. Há exemplos disso na obra Reencarnação no Brasil, de Hernani Guimarães Andrade.
Caso ela realmente tenha escolhido como prova ter uma morte violenta e dolorosa e obtiver sucesso, ela pode vir a ajudar os espíritos protetores dos criminosos, incentivando-os a iniciarem sua reforma íntima.
Todas essas considerações não invalidam o dever de investigar, prender, julgar, condenar e fazer cumprir a pena aos bandidos. Como Jesus disse, “é preciso que hajam escândalos, mas ai daquele por quem vem o escândalo.” Casos como esse, veiculados pela mídia, podem ter o efeito de amortecer os nossos sentimentos, mas podem fazer com que a sociedade mude para melhor, em vários níveis.
A polícia, por exemplo, pode se sentir estimulada a ser mais eficiente na resolução dos casos. Aqueles que forem corruptos podem começar a se perguntar se não podem se redimir e tornar o bairro, a cidade onde trabalham e moram mais seguro e menos violento.
Considero que as reflexões acima são válidas tanto para os crimes onde há algumas poucas vítimas diretas (sim, porque existem as indiretas, como vemos no noticiário – testemunhas do crime, parentes, amigos, colegas de trabalho e de escola, vizinhos e todos aqueles que tomam conhecimento do fato).
Mas e quando há um número maior de vítimas, cujos desencarnes foram provocados intencionalmente ou não – as chamadas mortes coletivas?
O incêndio na boate de Santa Maria, no início do ano, também levantou várias questões. Se falou da imprudência da banda que soltou os rojões que causaram o incêndio, da ganância dos donos do estabelecimento, da ineficiência dos agentes fiscalizadores e até da possível corrupção envolvida para deixar passar as irregularidades na construção.
Mas as medidas de segurança foram bastante debatidas, sugeriu-se um endurecimento na legislação pertinente e as pessoas ficaram mais atentas ao assunto, que muitas vezes passa despercebido, até que seja tarde demais.
Falou-se também na falta de pessoal para realizar o trabalho necessário. Algumas das vítimas do incêndio certamente são conhecidos dos fiscais que, se receberam propina – e não estou afirmando isso, apenas levantando uma hipótese – podem ter se arrependido e iniciado um processo de reforma íntima que no final das contas será muito salutar.
Eu, particularmente, pensei em propor através das redes sociais uma campanha para tornar o crime de corrupção hediondo, assim como o sequestro. Por que?
Se levarmos às últimas consequências, um corrupto é um genocida, assim como Hitler. As obras superfaturadas, as propinas e favores políticos custam vidas que poderiam ser poupadas ou prolongadas com boa qualidade. Mais escolas, hospitais e obras de infraestrutura seriam feitos. Não teríamos edifícios desabando por ter sido construídos com material inapropriado, ou boates incendiadas ou desabamento de pessoas em um culto evangélico se fiscais suficientes fizessem seu trabalho bem e honestamente.
Também não teríamos tantas mortes no trânsito porque guardas rodoviários receberam “uma cervejinha” pra não passar uma multa por excesso de velocidade ou embriaguez – ou ambos. E não teríamos tantas manchetes de policiais bandidos – da formação de quadrilha com assaltantes de bancos a assassinos de aluguel, ou cúmplices de assassinato.
Não haveria notícias sobre hospitais públicos superlotados, sem médicos, com equipamentos obsoletos. Não haveria professores em greve todo ano por melhores salários e melhores condições de educação.
Esse foi, é claro, um caso acidental que gerou tais consequências e reflexões no decorrer das semanas em que o incêndio foi manchete. E quando as mortes são intencionais, como no recente atentado terrorista durante a Maratona de Boston, onde três pessoas morreram e centenas ficaram feridas? E o que dizer da Columbine brasileira, em 2011, quando um rapaz de 23 anos entrou em uma escola no Rio de Janeiro e atirou contra os alunos? Houve um total de 29 vítimas diretas? Qual é a responsabilidade deles?
Um simples endurecimento no Código Penal não resolve casos como esses. Há reflexões mais profundas que nós, como membros da sociedade, precisamos fazer. Conhecimentos que devemos adquirir para reconhecer os sinais de uma perturbação como a de Wellington Menezes, o atirador da escola.
Um olhar atento a como as crianças ao nosso redor são educadas e seu comportamento em grupo são necessários, e nem sempre serão suficientes para evitar que casos como esse se repitam. A instalação de detectores de metal é apenas um remendo em uma mentalidade que deve ser reavaliada em busca de um modo de vida baseado no respeito mútuo – onde se deveria ver, por exemplo, um professor não como um empregado que deve se submeter aos caprichos dos nossos filhos pelo simples fato de colaborarmos com o pagamento de seu salário – seja com impostos, seja com o pagamento da mensalidade da escola particular. E sim como um parceiro (e não substituto) na educação de nossos filhos e de nós mesmos.
E isso vale no convívio social, inclusive o familiar. Os pais precisam aprender e ensinar a diferenciação entre respeito e medo, e a valorizar o primeiro na educação de seus filhos. Isso pode evitar traumas às crianças e aos colegas delas, que poderiam gerar mais episódios como os de Realengo.
Assim como nos últimos anos o mundo passou a ter um olhar mais atento aos sinais de pedofilia e a combatê-los em vez de tentar escondê-los da sociedade, é hora de nos inteirarmos e começarmos a prestar atenção nas tendências violentas (próprias e das pessoas ao nosso redor) e como elas se manifestam. E caso suspeitemos de psicopatia (incapacidade de ter emoções), procurar a ajuda adequada para que a pessoa em questão não se torne um futuro criminoso.
Nos Estados Unidos, há uma fascinação por pessoas com esse tipo de patologia, e há personagens célebres que são psicopatas – os chamados serial killers, ou assassinos em série. O mais célebre talvez seja Hannibal Lecter – um psiquiatra canibal que nos foi apresentado no filme O Silêncio dos Inocentes. O sucesso do filme – e do personagem – fez com que os produtores realizassem duas sequencias e, neste ano, um seriado baseado no personagem.
Há, também, um seriado baseado nas histórias da Unidade de Análise Comportamental do FBI, Criminal Minds (Mentes Criminosas). Uma equipe investiga casos de crimes praticados por pessoas com essa tendência.
Dexter Morgan é um caso à parte. O personagem saltou da literatura para a telinha, por ter um característica inusitada: é um psicopata que mata seus iguais, devido ao treinamento e ao propósito de vida ensinados por seu pai, um ex-policial de Miami, que desde sua infância percebeu essa pendor em seu filho e tentou direcioná-lo para um “propósito maior”. Dexter é um anti-herói que caiu no gosto popular devido à ligação com o cowboy justiceiro do velho oeste.
E, mais recentemente, o seriado The Following. Trata-se de um seriado no qual um serial killer que foi professor universitário escapa da prisão e reúne um tipo de culto da morte. O ex-agente do FBI que o havia capturado é chamado para liderar uma força-tarefa para tentar recapturá-lo e prender os seguidores dele.
Além da ficção, que fornece material para identificarmos as características desse tipos de criminosos, temos as publicações de informação científica, como a Superinteressante e a Galileu, e especialistas (como psicólogos e policiais) a quem podemos recorrer para reconhecer uma pessoa com tal distúrbio, ou outros que possam causar conflitos.
Mas qual é a gênese desse problema e o quanto isso pode amenizar a responsabilidade sobre os atos de um sociopata ou psicopata? Diz-se que quando os problemas estão presentes na atual encarnação, são os traumas causados pelo abandono e pelo abuso, e que os obrigam a se fecharem como em uma concha emocional.
O fator educação é fundamental para evitar ou minimizar o surgimento de tais monstros. E como dito anteriormente, uma pessoa criada dentro de uma filosofia de respeito ao próximo terá, no mínimo, a semente plantada. Caso não coloque em prática o que recebeu dos pais, terá um despertar na espiritualidade que o fará perceber a oportunidade perdida.
Dentro desse processo, a noção de limites que uma pessoa pode ter é imprescindível. Sem a noção de que o nosso direito termina onde começa a do outro, ou seja, o que Jesus nos disse há dois mil anos: amarmos o próximo como a nós mesmos, teremos uma sociedade onde todos reclamam seus direitos, mas ignoram seus deveres.
Mas e quando não há uma razão aparente? De acordo com a ótica espírita, podemos levantar a hipótese do trauma ter se originado em encarnações anteriores e causado tal desejo de vingança que o espírito deixou de medir consequências e se importar com quem atingia. Uma outra possibilidade é a do ser ter adquirido o gosto (vício) de matar em encarnações anteriores, em épocas nas quais ser sanguinário era considerado digno de elogio. E, inconscientemente, a pessoa se apega a uma qualidade que o fazia ser estimado pelos seus iguais.
O rapaz que queimou a dentista é um psicopata, ou não? A maioridade penal deve ser adotada? E a pena de morte? Quem terá melhores chances de se arrepender dos atos praticados: o terrorista morto em Boston, seu irmão, o atirado de Realengo, as centenas de homens-bomba que morrem no Oriente Médio? E quanto ao menino que matou acidentalmente sua irmã no Estado do Kentucky?Quem sofrerá as piores consequências espirituais? Não tenho essas respostas, porque isso depende do íntimo de cada um.
Alterações na legislação serão suficientes para inibir tais crimes? Depende do rigor empregado e da capacidade do Estado de prender os criminosos. Mas como vimos, depende também de uma reflexão da sociedade sobre os valores adotados atualmente, e se eles são adequados para garantir o que nós, espíritas sempre comentamos: a transição do planeta Terra de um mundo de provas e expiações para um de regeneração.
O espírito, como sabemos, não regride. Mas a legislação humana pode ter essa virada e atrasar a nossa viagem rumo a um mundo melhor.
sábado, 24 de julho de 2010
Consciência política
É época de eleições no Brasil. Os candidatos saem às ruas, gravam seus programas para o horário eleitoral, fazem suas alianças. E nós, que não somos candidatos a nada, mas somos eleitores, espíritas ou não? O que temos com isso?
Desde a redemocratização, um dos tipos de notícia que mais saem na seção de política é a dos escândalos de corrupção no país. Mensalão, mensalinho, dinheiro na cueca, na meia, superfaturamento de obras, gravações de entrega de propinas no Jornal Nacional. É um cenário desanimador.
Para combater tanta corrupção no país, surgiu o projeto de lei Ficha Limpa, que impede pessoas com problemas na justiça de se lançarem candidatos. E nós, espíritas, com isso?
TUDO. Por quê? As eleições são uma oportunidade de declaramos o quanto estamos satisfeitos ou não com o trabalho de nossos representantes nas Assembléias Legislativas, nas Câmaras Municipais e na Federal, no Senado e dos nossos governantes, do prefeito ao presidente. E também o de demonstrarmos o quanto estamos atentos não só ao desempenho ou potencial político dos candidatos, mas de seu histórico ético.
Devemos atentar também para o posicionamento pessoal em relação a alguns temas, como o aborto. Sabemos que existe uma bancada no Congresso que defende a legalização do aborto, o que faz com que há quatro anos sejamos obrigados a fazer manifestações em praça pública para pressionar essa bancada a se retrair.
Se quisermos nos sentir representados e fazer com que os políticos eleitos se sintam observados, não basta acompanhar o noticiário; é preciso que tenhamos um relacionamento, digamos, direto, com essas pessoas. Isso significa receber mala direta deles, além de mandar mensagens periódicas, sinalizando que estamos de olho em seu desempenho.
Se queremos evitar que os políticos sejam corruptos, é nosso dever fiscalizá-los da melhor maneira possível. Afinal, não se trata somente do superfaturamento de uma obra ou do favorecimento de uma empresa em uma concorrência pública. É nosso dever, como cidadãos, tentar evitar que isso ocorra. Na pergunta 642 do Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se basta não fazer o mal para ser agradável a Deus. Os espíritos são veementes: é preciso fazer o bem no limite de nossas forças, pois cada um responderá por todo mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.
E, de acordo com isso, a seleção criteriosa dos candidatos para os quais vamos votar e o acompanhamento de suas carreiras é fundamental para que não erremos por omissão.
Acompanhe a campanha eleitoral, escolha seus candidatos e pesquise-os. Dessa forma, a cultura do "rouba mas faz", ou pior, "rouba e não faz" deve diminuir drasticamente. Mas este é um trabalho de gerações, não apenas de momento. E se começarmos o trabalho agora, nossos filhos e netos colherão os frutos. Talvez até mesmo nós mesmos reencarnados.
Desde a redemocratização, um dos tipos de notícia que mais saem na seção de política é a dos escândalos de corrupção no país. Mensalão, mensalinho, dinheiro na cueca, na meia, superfaturamento de obras, gravações de entrega de propinas no Jornal Nacional. É um cenário desanimador.
Para combater tanta corrupção no país, surgiu o projeto de lei Ficha Limpa, que impede pessoas com problemas na justiça de se lançarem candidatos. E nós, espíritas, com isso?
TUDO. Por quê? As eleições são uma oportunidade de declaramos o quanto estamos satisfeitos ou não com o trabalho de nossos representantes nas Assembléias Legislativas, nas Câmaras Municipais e na Federal, no Senado e dos nossos governantes, do prefeito ao presidente. E também o de demonstrarmos o quanto estamos atentos não só ao desempenho ou potencial político dos candidatos, mas de seu histórico ético.
Devemos atentar também para o posicionamento pessoal em relação a alguns temas, como o aborto. Sabemos que existe uma bancada no Congresso que defende a legalização do aborto, o que faz com que há quatro anos sejamos obrigados a fazer manifestações em praça pública para pressionar essa bancada a se retrair.
Se quisermos nos sentir representados e fazer com que os políticos eleitos se sintam observados, não basta acompanhar o noticiário; é preciso que tenhamos um relacionamento, digamos, direto, com essas pessoas. Isso significa receber mala direta deles, além de mandar mensagens periódicas, sinalizando que estamos de olho em seu desempenho.
Se queremos evitar que os políticos sejam corruptos, é nosso dever fiscalizá-los da melhor maneira possível. Afinal, não se trata somente do superfaturamento de uma obra ou do favorecimento de uma empresa em uma concorrência pública. É nosso dever, como cidadãos, tentar evitar que isso ocorra. Na pergunta 642 do Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se basta não fazer o mal para ser agradável a Deus. Os espíritos são veementes: é preciso fazer o bem no limite de nossas forças, pois cada um responderá por todo mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.
E, de acordo com isso, a seleção criteriosa dos candidatos para os quais vamos votar e o acompanhamento de suas carreiras é fundamental para que não erremos por omissão.
Acompanhe a campanha eleitoral, escolha seus candidatos e pesquise-os. Dessa forma, a cultura do "rouba mas faz", ou pior, "rouba e não faz" deve diminuir drasticamente. Mas este é um trabalho de gerações, não apenas de momento. E se começarmos o trabalho agora, nossos filhos e netos colherão os frutos. Talvez até mesmo nós mesmos reencarnados.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Que tipo de pessoas somos?
No dia 20 de março de 2010, tive a oportunidade de participar da passeata em favor da vida em São Paulo. Nos reunimos em frente à Câmara Municipal e de lá rumamos para a Praça da Sé.
Enquanto esperava, observei os diversos grupos se organizando. Alguns tinham feito camisetas para o evento, faixas, cartazes. Muitos estavam com apitos e bandeiras. Palavras de ordem foram divulgadas para que nós as proferissemos.
Quando se aproximava a hora, as grávidas e pessoas com crianças de colo foram convidadas a formar a comissão de frente da passeata.
O trajeto, que leva de dez a quinze minutos a pé, levou quase uma hora para chegar ao destino. A comissão de frente subiu ao palco junto com as autoridades e o local estava tomado pelo público que foi dizer não ao aborto. A impressão que tive foi que havia muito mais pessoas na 4a edição do que em anos anteriores, quando havia um grande buraco no meio da praça.
Apesar disso, me senti sozinho na multidão. O motivo? Encontrei muito menos espíritas este ano do que nos outros. Pela USE Tatuapé, apenas eu mais três representantes estivemos presentes. Vi pouquíssimos conhecidos de outras regiões. Havia se divulgado que os espíritas fariam a concentração em frente ao prédio da FEESP. Não vi ninguém saindo de lá para acompanhar a manifestação. Não vi também o grupo de um dos mais conhecidos Centros espíritas de São Paulo, o Perseverança, que teve uma presença expressiva no ano passado.
Quando refletia, frustrado com a baixa participação espírita deste ano, me veio à mente a famosa frase do dramaturgo alemão Bertolt Brecht: "há homens que lutam um dia e são bons... mas há aqueles que lutam a vida toda. Esses são imprescindíveis".
Por isso, gostaria de fazer uma comparação entre os diversos grupos religiosos (especialmente o católico) e a participação espírita desde que começaram as manifestações.
Em primeiro lugar, as caravanas católicas vieram de diversas partes do Estado. Vi grupos de Jacareí, São José dos Campos. Caraguatatuba, entre outros. Durante o evento, o locutor disse que havia uma caravana de quarenta ônibus vindos de outra cidade.Entre os espíritas, vejo apenas moradores da Grande São Paulo, e em número reduzido.
Paróquias inteiras são convocadas a participar. Entre os espíritas, quando muito, os dirigentes vêm, e para fazer volume.
Os grupos vêm preparados, com camisetas, folhetos, pinturas no rosto, faixas. E nós? quando muito, com um adesivo fornecido por outros grupos. E a visão espírita do aborto? Quantas mensagens, artigos e obras sobre o assuntos há na literatura espírita, que poderiam ser aproveitados para esclarecer a população?
Os representantes católicos estão em maioria, estáveis ou em crescimento nas manifestações. Quanto aos demais grupos religiosos, houve uma participação pífia dos espíritas (já citada) e dos evangélicos. Não percebi a presença da comunidade judaica nem da islâmica este ano.
A que se deve isso? Provavelmente a uma sensação de rotina, uma espécie de cansaço que tomou conta dos grupos pró-vida. Para essas pessoas, que ouvem falar desse movimento e chegaram a participar de outras manifestações, a pergunta que elas se fazem é: de novo?
A questão 642 do Livro dos Espíritos nos convoca a praticar o bem na medida de nossas forças. Físicas, psicológicas, econômicas, não importa. Entretanto, como vemos, estamos longe de adotar esse mandamento como estilo de vida. As menores contrariedades da vida e a simples preguiça são capazes de nos afastar dos nossos deveres, como a de defender o direito de outros espíritos encarnarem.
Duas semanas antes, em uma reunião pública, um frequentador disse que poderíamos sofrer as consequências da legalização do aborto em encarnações futuras. Não necessariamente como expiação por nos omitirmos em relação a essa guerra, que ainda não acabou. Pode ser simplesmente por livre-arbítrio de nossos ex-futuros pais na próxima encarnação - caso a lei seja aprovada.
Muitos participam do comício e não voltam a pensar no assunto, até que são surpreendidos com a convocação para um novo evento - e podem participar ou não. Mas temos que considerar o outro lado - os defensores do aborto. Só que mutas vezes esse grupo o defende como primeira - ou única - opção de método contraceptivo.
Há maneiras de se fazer o planejamento familiar que não precisam chegar ao aborto como solução. E caso a mãe não tenha condições ou não queira ficar com a criança, deve haver meios de se facilitar a adoção.
Enquanto houver um grupo ativo fazendo lobby no Congresso Nacional pela sua aprovação, o movimento em favor da vida não pode esmorecer, esvaziar-se. Porque quando não nos importarmos mais, eles terão a chance de atingir seus objetivos, sejam eles baseados em boas intenções ou não.
Enquanto esperava, observei os diversos grupos se organizando. Alguns tinham feito camisetas para o evento, faixas, cartazes. Muitos estavam com apitos e bandeiras. Palavras de ordem foram divulgadas para que nós as proferissemos.
Quando se aproximava a hora, as grávidas e pessoas com crianças de colo foram convidadas a formar a comissão de frente da passeata.
O trajeto, que leva de dez a quinze minutos a pé, levou quase uma hora para chegar ao destino. A comissão de frente subiu ao palco junto com as autoridades e o local estava tomado pelo público que foi dizer não ao aborto. A impressão que tive foi que havia muito mais pessoas na 4a edição do que em anos anteriores, quando havia um grande buraco no meio da praça.
Apesar disso, me senti sozinho na multidão. O motivo? Encontrei muito menos espíritas este ano do que nos outros. Pela USE Tatuapé, apenas eu mais três representantes estivemos presentes. Vi pouquíssimos conhecidos de outras regiões. Havia se divulgado que os espíritas fariam a concentração em frente ao prédio da FEESP. Não vi ninguém saindo de lá para acompanhar a manifestação. Não vi também o grupo de um dos mais conhecidos Centros espíritas de São Paulo, o Perseverança, que teve uma presença expressiva no ano passado.
Quando refletia, frustrado com a baixa participação espírita deste ano, me veio à mente a famosa frase do dramaturgo alemão Bertolt Brecht: "há homens que lutam um dia e são bons... mas há aqueles que lutam a vida toda. Esses são imprescindíveis".
Por isso, gostaria de fazer uma comparação entre os diversos grupos religiosos (especialmente o católico) e a participação espírita desde que começaram as manifestações.
Em primeiro lugar, as caravanas católicas vieram de diversas partes do Estado. Vi grupos de Jacareí, São José dos Campos. Caraguatatuba, entre outros. Durante o evento, o locutor disse que havia uma caravana de quarenta ônibus vindos de outra cidade.Entre os espíritas, vejo apenas moradores da Grande São Paulo, e em número reduzido.
Paróquias inteiras são convocadas a participar. Entre os espíritas, quando muito, os dirigentes vêm, e para fazer volume.
Os grupos vêm preparados, com camisetas, folhetos, pinturas no rosto, faixas. E nós? quando muito, com um adesivo fornecido por outros grupos. E a visão espírita do aborto? Quantas mensagens, artigos e obras sobre o assuntos há na literatura espírita, que poderiam ser aproveitados para esclarecer a população?
Os representantes católicos estão em maioria, estáveis ou em crescimento nas manifestações. Quanto aos demais grupos religiosos, houve uma participação pífia dos espíritas (já citada) e dos evangélicos. Não percebi a presença da comunidade judaica nem da islâmica este ano.
A que se deve isso? Provavelmente a uma sensação de rotina, uma espécie de cansaço que tomou conta dos grupos pró-vida. Para essas pessoas, que ouvem falar desse movimento e chegaram a participar de outras manifestações, a pergunta que elas se fazem é: de novo?
A questão 642 do Livro dos Espíritos nos convoca a praticar o bem na medida de nossas forças. Físicas, psicológicas, econômicas, não importa. Entretanto, como vemos, estamos longe de adotar esse mandamento como estilo de vida. As menores contrariedades da vida e a simples preguiça são capazes de nos afastar dos nossos deveres, como a de defender o direito de outros espíritos encarnarem.
Duas semanas antes, em uma reunião pública, um frequentador disse que poderíamos sofrer as consequências da legalização do aborto em encarnações futuras. Não necessariamente como expiação por nos omitirmos em relação a essa guerra, que ainda não acabou. Pode ser simplesmente por livre-arbítrio de nossos ex-futuros pais na próxima encarnação - caso a lei seja aprovada.
Muitos participam do comício e não voltam a pensar no assunto, até que são surpreendidos com a convocação para um novo evento - e podem participar ou não. Mas temos que considerar o outro lado - os defensores do aborto. Só que mutas vezes esse grupo o defende como primeira - ou única - opção de método contraceptivo.
Há maneiras de se fazer o planejamento familiar que não precisam chegar ao aborto como solução. E caso a mãe não tenha condições ou não queira ficar com a criança, deve haver meios de se facilitar a adoção.
Enquanto houver um grupo ativo fazendo lobby no Congresso Nacional pela sua aprovação, o movimento em favor da vida não pode esmorecer, esvaziar-se. Porque quando não nos importarmos mais, eles terão a chance de atingir seus objetivos, sejam eles baseados em boas intenções ou não.
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
Que qualidades um voluntário deve ter?
A base da existência de uma entidade sem fins lucrativos, como um centro espírita, é o trabalho voluntário. A Diretoria Executiva, os Departamentos, dirigentes de reuniões e respectivas equipes não recebem remuneração pelos seus serviços.
Devidamente documentada, a opção do frequentador em se tornar voluntário protege a entidade de problemas legais. Mas por outro lado, dá a impressão de, por ser voluntário, não há compromisso.
Então, quais são as qualidades necessárias a um bom voluntário?
Em primeiro lugar, a boa vontade. Mas algumas pessoas se confundem com o termo. Porque boa vontade implica não só se dispor ao trabalho, mas em preparar-se para ele e em manter a assiduidade nas atividades em que se dispõe a colaborar.
Assim, o palestrante deve se manter atualizado quanto às técnicas e tecnologias de suporte à exposição, informado quanto ao que acontece no mundo, treinar sua voz, para fazer uma boa palestra.
Ser um dirigente não é apenas mandar os outros fazerem suas tarefas, mas algo mais complexo, que distingue hoje em dia a liderança da chefia.
Ser um voluntário em qualquer área é sempre se perguntar como podemos fazer melhor a atividade que nos propomos. E isso implica fazer cursos, pesquisar na internet e em livros aquilo que nos fará melhores voluntários.
Peter Drucker, um grande especialista sobre administração, se debruçou sobre as organizações sem fins lucrativos. E chegou a uma definição sobre esse tipo de empresa (pois um centro espírita é uma empresa): ele disse que tal organização tem como finalidade mudar as vidas das pessoas. Inclusive as nossas mesmas.
Lembremo-nos, pois, que o trabalho voluntário é um caminho para a tão batida reforma íntima. Se nos limitarmos a cumprir rotinas, perderemos uma grande oportunidade de crescimento pessoa, espiritual e até mesmo profissional.
Devidamente documentada, a opção do frequentador em se tornar voluntário protege a entidade de problemas legais. Mas por outro lado, dá a impressão de, por ser voluntário, não há compromisso.
Então, quais são as qualidades necessárias a um bom voluntário?
Em primeiro lugar, a boa vontade. Mas algumas pessoas se confundem com o termo. Porque boa vontade implica não só se dispor ao trabalho, mas em preparar-se para ele e em manter a assiduidade nas atividades em que se dispõe a colaborar.
Assim, o palestrante deve se manter atualizado quanto às técnicas e tecnologias de suporte à exposição, informado quanto ao que acontece no mundo, treinar sua voz, para fazer uma boa palestra.
Ser um dirigente não é apenas mandar os outros fazerem suas tarefas, mas algo mais complexo, que distingue hoje em dia a liderança da chefia.
Ser um voluntário em qualquer área é sempre se perguntar como podemos fazer melhor a atividade que nos propomos. E isso implica fazer cursos, pesquisar na internet e em livros aquilo que nos fará melhores voluntários.
Peter Drucker, um grande especialista sobre administração, se debruçou sobre as organizações sem fins lucrativos. E chegou a uma definição sobre esse tipo de empresa (pois um centro espírita é uma empresa): ele disse que tal organização tem como finalidade mudar as vidas das pessoas. Inclusive as nossas mesmas.
Lembremo-nos, pois, que o trabalho voluntário é um caminho para a tão batida reforma íntima. Se nos limitarmos a cumprir rotinas, perderemos uma grande oportunidade de crescimento pessoa, espiritual e até mesmo profissional.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
Preconceito e amor ao próximo
O que o preconceito tem a ver com o amor ao próximo? Será que um não será o oposto do outro?
Se observarmos todas as atitudes tomadas em nome de uma superioridade, normalidade relativa, um padrão desejável, uma idéia ou crença tida como correta, certamente não temos como relacionar um ao outro.
Mas, como faz a revista Superinteressante, que faz as ligações mais improváveis entre eventos do passado com conceitos e produtos da atualidade, tentaremos encontrar o elo perdido.
As pessoas falam contra o preconceito, mas nem sempre se dão conta que são, em algumas ocasiões, vítimas de algum tipo de de discriminação, enquanto que em outras, são seus agentes.
E as ferramentas podem ser aparentemente inocentes, como piadas e imitações, chegando ao extremo do genocídio, como na 2a Guerra Mundial, em Kosovo e nas guerras no continente africano, entre outros lugares.
O conceito de amor ao próximo ainda hoje não é compreendido em sua plenitude. Ele é visto de forma tribal: aqueles que partilham do meu modo de vida, minha visão de mundo, tenham a mesma cor de pele, herança cultural, são meus próximos.
Mas Jesus ampliou esse conceito, com a Parábola do Bom Samaritano, demonstrando que o nosso próximo é qualquer um que precise de nossa ajuda, seja fisicamente (cuidados médicos, alimentação, uma ajuda para empurrar o carro enguiçado), seja espiritualmente (ouvir os problemas de alguém, rezar pela pessoa, com ela, emprestar o ombro para que ela chore e se alivie). Ele ajudou a mulher adúltera, atendeu ao pedido do centurião (oficial do exército que dominava a Judéia), escolheu um coletor de impostos (Mateus) como apóstolo e se hospedou na casa de Zaqueu, um homem rico malvisto na região e que ansiava por renovação.
Todas essas pessoas eram discriminadas, cada uma por razões diferentes. Mas Ele mostrou que o desprezo, a perseguição, a violência não eram soluções. Apenas combustíveis para alimentar um círculo vicioso de rancor, inveja, vingança e sofrimento. É o que acontece hoje na Palestina. Os palestinos se revoltam com as condições de vida e não conseguem enxergar uma convivência pacífica com Israel e agem de forma violenta, que leva à militarização do país e à restrição de acesso dos palestinos.
Individualmente, quem sofre o preconceito pode ter a auto-estima abalada, levando a vícios, problemas psicológicos e físicos, como a anorexia, a bulimia e problemas gástricos.
Existe uma solução para que isso acabe ou diminua?
No Brasil, existem várias leis que combatem o preconceito e ideologias preconceituosas, como o Nazismo, e o criminalizam, tornando o gesto um crime hediondo.
Como foi dito no Livro dos Espíritos, na época de sua publicação, há pensamentos e ações que são consideradas horríveis pela espiritualidade e que não são cogitadas nem como faltas leves.
A Humanidade avançou e a Declaração Universal dos Direitos Humanos é um norte que podemos tentar alcançar. E, à medida que progredimos, descobrimos como realmente amar nosso próximo.
Há características pessoais e até problemas de saúde que foram alvo de preconceito ao longo do tempo. Ainda hoje há quem confunda a epilepsia com mediunidade e possessão demoníaca. A homossexualidade foi vista (oficialmente) como doença e o conhecimento da flora local, confundida com bruxaria.
Por outro lado, a obesidade foi vista como sinal de prosperidade, e o ódio aos inimigos, abençoado e louvado.
Se observarmos todas as atitudes tomadas em nome de uma superioridade, normalidade relativa, um padrão desejável, uma idéia ou crença tida como correta, certamente não temos como relacionar um ao outro.
Mas, como faz a revista Superinteressante, que faz as ligações mais improváveis entre eventos do passado com conceitos e produtos da atualidade, tentaremos encontrar o elo perdido.
As pessoas falam contra o preconceito, mas nem sempre se dão conta que são, em algumas ocasiões, vítimas de algum tipo de de discriminação, enquanto que em outras, são seus agentes.
E as ferramentas podem ser aparentemente inocentes, como piadas e imitações, chegando ao extremo do genocídio, como na 2a Guerra Mundial, em Kosovo e nas guerras no continente africano, entre outros lugares.
O conceito de amor ao próximo ainda hoje não é compreendido em sua plenitude. Ele é visto de forma tribal: aqueles que partilham do meu modo de vida, minha visão de mundo, tenham a mesma cor de pele, herança cultural, são meus próximos.
Mas Jesus ampliou esse conceito, com a Parábola do Bom Samaritano, demonstrando que o nosso próximo é qualquer um que precise de nossa ajuda, seja fisicamente (cuidados médicos, alimentação, uma ajuda para empurrar o carro enguiçado), seja espiritualmente (ouvir os problemas de alguém, rezar pela pessoa, com ela, emprestar o ombro para que ela chore e se alivie). Ele ajudou a mulher adúltera, atendeu ao pedido do centurião (oficial do exército que dominava a Judéia), escolheu um coletor de impostos (Mateus) como apóstolo e se hospedou na casa de Zaqueu, um homem rico malvisto na região e que ansiava por renovação.
Todas essas pessoas eram discriminadas, cada uma por razões diferentes. Mas Ele mostrou que o desprezo, a perseguição, a violência não eram soluções. Apenas combustíveis para alimentar um círculo vicioso de rancor, inveja, vingança e sofrimento. É o que acontece hoje na Palestina. Os palestinos se revoltam com as condições de vida e não conseguem enxergar uma convivência pacífica com Israel e agem de forma violenta, que leva à militarização do país e à restrição de acesso dos palestinos.
Individualmente, quem sofre o preconceito pode ter a auto-estima abalada, levando a vícios, problemas psicológicos e físicos, como a anorexia, a bulimia e problemas gástricos.
Existe uma solução para que isso acabe ou diminua?
No Brasil, existem várias leis que combatem o preconceito e ideologias preconceituosas, como o Nazismo, e o criminalizam, tornando o gesto um crime hediondo.
Como foi dito no Livro dos Espíritos, na época de sua publicação, há pensamentos e ações que são consideradas horríveis pela espiritualidade e que não são cogitadas nem como faltas leves.
A Humanidade avançou e a Declaração Universal dos Direitos Humanos é um norte que podemos tentar alcançar. E, à medida que progredimos, descobrimos como realmente amar nosso próximo.
Há características pessoais e até problemas de saúde que foram alvo de preconceito ao longo do tempo. Ainda hoje há quem confunda a epilepsia com mediunidade e possessão demoníaca. A homossexualidade foi vista (oficialmente) como doença e o conhecimento da flora local, confundida com bruxaria.
Por outro lado, a obesidade foi vista como sinal de prosperidade, e o ódio aos inimigos, abençoado e louvado.
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
08/07/2006 14:37:19
UM PROJETO PARA O MOVIMENTO ESPÍRITA
Em um texto sobre a importância de se escolher bem os representantes do Centro, frisei a capacidade de liderança dessas pessoas. Mas a liderança, seja ela inata ou adquirida através de constantes exercícios e leituras, não é o único pré-requisito para ser selecionado o dirigente do movimento espírita. Existe, é claro, o fator disponibilidade: para dirigir as reuniões do órgão que coordena, para participar de reuniões similares em instâncias maiores, como da Distrital, Municipal ou Intermunicipal para a Regional e a Estadual e para as reuniões extras para organização de eventos.
Mas se deixar levar somente pela rotina administrativa é como se deixar levar pela correnteza. Se a equipe não está bem preparada e não tem um mapa, é bem possível que acabe chegando a uma cachoeira ou banco de areia, desapontando ou pondo em risco os companheiros de viagem.
Para que isso não ocorra, é necessário um projeto que oriente a equipe e que fique claro para os Centros Espíritas, que possa trazer benefícios para todos. É preciso ter em mente o que no meio empresarial é conhecido como missão da instituição.
Como a USE se divide internamente em diversos Departamentos que têm sua correlação nas casas espíritas, cada departamento deve encontrar sua missão primordial, que norteará suas ações, em consonância com a missão da própria entidade.
Dessa maneira, encontraremos meios de fortalecer a estrutura das casas ligadas a nós, focando as necessidades inerentes a cada subdivisão e propiciando um intercâmbio de idéias e experiências, que é, a meu ver, a essência desse trabalho.
Além disso, o intercâmbio entre as casas espíritas facilita o surgimento e fortalecimento do sentimento de união e do senso de comunidade, necessário para que os nossos eventos em conjunto tenham maior número de participantes, com uma variedade maior de Centros representados. Aqueles que participam do processo de criação de um encontro, uma semana de palestras, um congresso têm em mente a importância dos temas tratados e, no caso das caravanas, o quanto o volume de participantes ajuda a aumentar a quantidade de donativos.
Mas aqueles que são convidados a participar nem sempre têm essa noção, menosprezando o trabalho ou não o aproveitando tanto quanto uma pessoa consciente da importância do debate feito. Às vezes até reconhecem isso, mas dão mais ênfase ao aspecto confraternativo, que é importante, mas deve ser considerado como mais uma face do evento. E às vezes só participam de um evento porque ele é realizado no Centro que frequentam, deixando de lado até a confraternização, por comodidade. Isso é notório quando se trata de semanas de palestras, como a Semana Espírita ou a SEJEST (Semana do Jovem Espírita no Tatuapé).
A USE precisa trabalhar de forma a chamar a atenção dos respectivos diretores de Departamentos das casas espíritas, a fim de que eles, ou um representante designado pelo Centro, participem das decisões sobre a escolha de temas para os eventos, mas não só para isso. Assim como os representantes dos Centros no Conselho Deliberativo não são meros garotos de recado, anotando os eventos e levando cópias dos balancetes e das atas.
É preciso criar uma agenda que capacite os iniciantes e faça os veteranos refletirem quanto aos nossos papéis como dirigentes do Centro que frequentamos e como agentes do movimento espírita. E para isso, precisamos trocar informações. Não só sobre nossas necessidades, mas também sobre o que podemos oferecer de subsídios para que os outros possam fazer melhor seu trabalho.
O DM USE Regional São Paulo criou em 2004 a Secretaria de Apoio às Mocidades, conhecida como SAM. Por que não fazer o mesmo com cada departamento?
Alguns podem se perguntar sobre como começar tal projeto. Se pararmos por alguns minutos e nos dispusermos a escrever sobre as necessidades de nossos departamentos, do Centro e do movimento espírita, encontraremos dezenas, se não centenas de temas para discussão.
Após essa tempestade mental, temos que aliar às idéias ações que possam atender à demanda, auxiliando dessa forma o fortalecimento da casas unidas como instituições e estreitando os laços entre nós.
Bezerra de Menezes nos fala sobre a necessidade de união entre os espíritas. Declara que ela é urgente, na medida em que todos devemos nos encarar como irmãos, mas ao mesmo tempo nos alerta sobre a pressa em concretizar tal fato. Alerta-nos que essa união deve vir de dentro de cada um de nós, a seu tempo. Mas deixa a responsabilidade de fazer despertar esse sentimento nos outros àqueles que vivenciam-no.
A USE, como entidade que prega justamente essa união, deve encontrar meios de promovê-la de fato na região em que atua. Esse é o nosso papel, sejamos membros da Diretoria ou representantes dos Centros.
Enviado por: Edgar USE
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30/04/2006 20:00:00
ALGUNS TIPOS DE LEITURA INDICADOS PARA O DIRIGENTE ESPÍRITA
Paulo de Tarso disse, em uma de suas epístolas, que tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém, indicando dessa maneira a necessidade de conhecermos o mundo, mas não adotar seus valores indiscriminadamente. O que significa que devemos refletir sobre o conhecimento adquirido, para que ele faça parte de nosso repertório ou seja descartado conscientimente, e não rejeitado ou absorvido a priori.
Dessa meneira, encontramos n tipos de leituras indicados para os dirigentes espíritas aplicarem em suas rotinas no Centro. Aqui, vamos falar de alguns desses tipos.
Antes de tudo, Espiritismo
Uma pessoa que se disponha a conduzir uma reunião, dirigir um Departamento ou fazer parte da Comissão Executiva deve estudar as principais obras da Doutrina Espírita, a começar pelas obras de Kardec. Sem essa base, ela não terá condições mínimas para perceber se algo que foi dito em uma palestra ou reunião de estudo destoa dos princípios doutrinários.
O que não significa que ele deva tratar o companheiro equivocado como o demônio em sessão de exorcismo. Ele precisa conduzir a reunião de maneira a fazer o autor do comentário perceber o engano, sem magoá-lo, principalmente se é iniciante na Doutrina. O que nos leva a outro tipo de obra recomendada.
A diferença entre liderança e chefia
Em um meio como o movimento espírita, no qual a regra é o trabalho voluntário, os dirigentes devem se comportar de maneira a liderar pelo consenso e não impor suas idéias, como no período fascista-nazista-comunista e nas ditaduras das décadas de 60 e 70 do século 20. Nem têm com o que ameaçar os frequentadores e trabalhadores mais resistentes porque, ao contrário do mercado de trabalho, não há uma fila de potenciais substitutos esperando a oportunidade de colaborar nas fileiras espíritas.
É imprescindível que saibamos a diferença entre chefiar e liderar, e que no segundo caso, possamos mostrar claramente o objetivo da função que exercemos e das estratégias que adotarmos. Se as pessoas estiverem confusas a esse respeito, é porque nós mesmos não sabemos qual rumo devemos tomar. E uma liderança perdida é uma liderança ineficaz.
Por isso, são indicados livros sobre administração e liderança, para que possamos refletir sobre esses temas e possamos adequá-los ao nosso cotidiano. E com esse intercãmbio, estabelecer, quem sabe, um estilo de liderança espírita.
A arte de ensinar e aprender
Jesus tem como um de seus epípetos(“apelido”) Mestre. E, de uns tempos para cá, é considerado o psicólogo por excelência. O que siginifica que ele transmitia seus conhecimentos de forma agradável e compreensível e é profundo conhecedor da alma humana(tanto que em sua agonia na cruz, Ele pediu que nos perdoasse, porque não sabíamos o que estávamos fazendo).
Como palestrantes, evangelizadores e dirigentes de mocidade, temos que nos preparar não só estudando o tema, mas procurando maneiras mais ágeis e agradáveis de transmití-lo. Temos que adequar o conhecimento que temos ao público-alvo, de forma a evitar que ele se disperse. Essa dispersão pode ir da sonolência(que pode ter outros motivos além da maneira de apresentar o tema) às saídas constantes do recinto e à bagunça gerada pelas crianças que não foram cativadas pela apresentação.
Dinâmicas de grupo, vivências, cartazes, retroprojetores, flip-charts, vídeos, músicas, artes plásticas, dança, teatro, jogos de mesa e de salão adaptados para o desenvolvimento dos temas podem ser utilizados, desde que sejam adequados e estimulantes.
Nesse caso, livros sobre pedagogia, tanto geral como espírita, e apostilas com dinâmicas e vivências podem ajudar na elaboração dos estudos.
Estar no mundo, sem ser do mundo
Um dirigente que fique restrito às obras e publicações espíritas perde a oportunidade e o poder de análise de quem acompanha o noticiário e lê outras obras além das espíritas. Se verificarmos nos Prolegômenos, publicado no Livro dos Espíritos, iremos encontrar assinaturas de grandes nomes da filosofia, da literatura e da ciência humanas, dando aval à obra coordenada por Kardec.
Falamos com intimidade sobre Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Galileu, Erasto, Sócrates, Voltaire, Platão. Muitos desses espíritos deixaram obras de valor para a Humanidade. Mas quantos de nós nos debruçamos sobre elas e as analisamos sob a ótica espírita?
Quantos de nós têm uma sólida formação espírita, capaz de resistir à sedução da doutrina materialista de autores como Marx ou de niilistas como Nietszche ou Sartre?
Harold Bloomm, escritor britânico, nomeou Shakespeare como o “ inventor do humano”. Por que será? Uma análise superficial da obra do bardo inglês nos mostra situações em que há ciúme e inveja(Otelo), ganãncia(Macbeth), paixão(Romeu e Julieta), ingratidão(Rei Lear) e indecisão(Hamlet), o que constituem um painel das emoções negativas a que a Humanidade cede, podendo ser analisadas se não nas reuniões espíritas, pelos dirigentes em particular, a fim de aumentar seu repertório. Além disso, conhecer o estilo dos grandes escritores, mesmo que através de obras traduzidas, nos prepara para detectar tentativas de mistificação.
Mesmo que o dirigente não seja muito afeito à leitura fora do meio espírita, há várias adaptações para o cinema e a televisão de vários clássicos: O Primo Basílio e Os Maias, de Eça de Queirós; O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo; Grande Sertão: Veredas, de Graciliano Ramos; Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, além das adaptações para o cinema das obras de Shakespeare, já citadas, e muitas outras mais.
A formação do dirigente espírita
Existem duas fontes de divulgação do Espiritismo para as quais devemos atentar. A primeira é o nosso exemplo. E isso engloba a nossa capacitação para assumir cargos de direção de modo a fazer crescer a casa que frequentamos. E a outra são os livros, publicados aos montes todos os anos.
Mas como vimos, não podemos ficar restritos aos livros espíritas. Se não, ficaremos como alguns evangélicos que lêem a Bíblia e nada mais, fazendo uma interpretação literal de seus textos e estreitando sua visão de mundo.
Se tivermos estudado os clássicos do Espiritismo, teremos como separar o joio do trigo, pois o nosso repertório será mais amplo, e saberemos a quem consultar caso tenhamos dúvidas sobre conceitos doutrinários emitidos nas novas obras.
Da mesma maneira, se lermos os clássicos da literatura mundial, teremos condições de reconhecer o estilo de um autor, caso um médium psicografe obras usando sua assinatura.
Conhecendo os percalços que o mundo corporativo enfrenta, e comparando-os com aqueles que sofremos no dia-a-dia do Centro e do movimento, teremos uma oportunidade de fazer um trabalho melhor, mais profissional, sem que isso implique remuneração.
Sabendo utilizar as ferramentas pedagógicas para os grupos corretos, um tema tem mais chances de ser compreendido pelas pessoas, e de maneira mais agradável.
Ler tudo o que nos cair nas mãos; meditar sobre cada obra; aproveitar o que for possível. Parece coisa para enlouquecer qualquer um, dado o número de obras existentes no mundo. Mas basta deixar de ficar em frente à tevê alguns minutos por dia, quando não formos ao Centro. E não precisamos gastar com a compra desses livros. Se houver uma biblioteca pública no bairro, é só fazer a inscrição e aproveitar seu acervo. Se o Centro que você frequenta tem uma, inscreva-se e viaje pelos títulos espíritas.
Enviado por: Edgar USE
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29/04/2006 13:28:37
A IMPORTÃNCIA DA ESCOLHA DO REPRESENTANTE DO CENTRO
Segundo o dicionário Aurélio, representar significa, entre outras coisas, a) ser um exemplo ou caso concreto de; b) chefiar missão de(país, governo, INSTITUIÇÃO) junto a outro; c) ser procurador ou mandatário de; d) desempenhar o papel, as atribuições, as funções de representante. Para dar um exemplo, os embaixadores e cônsules são representantes de seus países em solo estrangeiro. Seu papel é tão significativo que eles podem, entre outras coisas, negociar tratados comerciais, declarar guerra(pelo menos até o século 19) e abrigar quem pedisse asilo político. Nos anos 60 e 70, quando pipocaram as ditaduras na América Latina e em outros países do Terceiro Mundo, os opositores dos regimes instalados que fossem perseguidos podiam recorrer às embaixadas e consulados, pois a polícia e o exército não poderiam invadir tais locais sem causar incidentes diplomáticos com os países representados, podendo chegar à guerra entre ambos caso isso acontecesse.
No movimento espírita, às vezes se ouve o comentário de que o representante do Centro junto ao órgão de unificação não passa de um figurante, simplesmente para marcar presença, e encarado como um garoto de recados que leva e traz informações sobre os eventos realizados de ambos os lados.
O Centro que assim procede esquece que é a partir dos representantes designados por eles que são compostas as chapas que poderão assumir a diretoria do órgão de unificação, assim como é dentre os sócios que são escolhidos os diretores da casa espírita. O fato de uma pessoa se dispor a contribuir não só financeiramente, mas com seu tempo para a realização dos trabalhos da entidade denota um comprometimento que o qualifica como potencial dirigente dela.
Em tese, o mesmo deve acontecer com o representante do centro na USE, seja ela Distrital, Municipal ou Intermunicipal, ou em um âmbito maior, na Regional ou na Estadual. O mebro do Conselho deve ser uma liderança reconhecida dentro da casa que representa, o que significa que deve estar não só qualificado como também autorizado pela entidade a tomar decisões nas reuniões do órgão de unificação, seja no Conselho Deliberativo, seja como diretor nas respectivas reuniôes de Departamentos.
Portanto, tais pessoas devem ser escolhidas criteriosamente, por mais difícil que seja em algumas casas encontrar pessoas dispostas ao trabalho no Centro, quanto mais no movimento espírita, que a maior parte das pessoas desconhece, ou entende mal.
Além da capacitação dos membros do Conselho, é imprescindível que haja um vínculo afetivo entre todos os membros, ou seja, amizade. Comparecer a uma reunião por pura obrigação faz com que coloquemos outros compromissos que nem sempre são tão urgentes como prioridades, em vez da condução do movimento espírita em nossa região.
A participação no movimento espírita me ajudou a ter uma percepção mais ampla da Doutrina Espírita. Foi o mote que possibilitou o surgimento de várias amizades, em diversos Centros, e que frearam minhas intenções de jogar tudo para o alto em momentos de crise. Eu, particularmente, não pensei no que as pessoas pensariam caso eu abandonasse o Centro do qual fui representante, ou até mesmo a Doutrina por conta dessas crises, mas sim na falta que essas pessoas fariam à minha vida.
Se a causa espírita fosse uma doença contagiosa, eu estudaria todos os meios possíveis de transmissão para causar uma epidemia na seara espírita, a fim de que não só os mais engajados, mas todos os membros de cada casa espírita, pudessem respirar tal ambiente. E que os doentes, em vez de procurar a cura, se dispusessem a disseminar esse "mal". Mas parece que as pessoas desenvolveram uma "vacina" para se imunizarem.
Resta a nós esperar que o tempo acabe com o prazo de validade de tal remédio e essas pessoas possam perceber o quão benéfico é esse "mal" do qual algumas casas se isolam como de alguém com uma doença fatal.
Para que se criem esses vínculos, é preciso que participemos de eventos fora de nossas bases e estimulemos nossos companheiros de Centro para que façam o mesmo. Além de ampliar horizontes, a participação no movimento espírita propicia o contato com membros de outros centro e a criação e fortalecimento de amizades. É um processo mais ou menos longo e varia de pessoa para pessoa. Para que não haja mal-entendidos, os potenciais líderes do movimento espírita devem calcar sua presença nos eventos no binômio amizade-aprendizado, de acordo com a instrução do Espírito de Verdade: "Espíritas: amai-vos, eis o primeiro mandamento; instruí-vos, eis o segundo".
Quando a comunidade espírita compreender essa lição, ela será muito mais forte e representativa em nossa sociedade, sem a necessidade do uso de fogos de artifício para chamar a atenção.
Enviado por: Edgar USE
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UM PROJETO PARA O MOVIMENTO ESPÍRITA
Em um texto sobre a importância de se escolher bem os representantes do Centro, frisei a capacidade de liderança dessas pessoas. Mas a liderança, seja ela inata ou adquirida através de constantes exercícios e leituras, não é o único pré-requisito para ser selecionado o dirigente do movimento espírita. Existe, é claro, o fator disponibilidade: para dirigir as reuniões do órgão que coordena, para participar de reuniões similares em instâncias maiores, como da Distrital, Municipal ou Intermunicipal para a Regional e a Estadual e para as reuniões extras para organização de eventos.
Mas se deixar levar somente pela rotina administrativa é como se deixar levar pela correnteza. Se a equipe não está bem preparada e não tem um mapa, é bem possível que acabe chegando a uma cachoeira ou banco de areia, desapontando ou pondo em risco os companheiros de viagem.
Para que isso não ocorra, é necessário um projeto que oriente a equipe e que fique claro para os Centros Espíritas, que possa trazer benefícios para todos. É preciso ter em mente o que no meio empresarial é conhecido como missão da instituição.
Como a USE se divide internamente em diversos Departamentos que têm sua correlação nas casas espíritas, cada departamento deve encontrar sua missão primordial, que norteará suas ações, em consonância com a missão da própria entidade.
Dessa maneira, encontraremos meios de fortalecer a estrutura das casas ligadas a nós, focando as necessidades inerentes a cada subdivisão e propiciando um intercâmbio de idéias e experiências, que é, a meu ver, a essência desse trabalho.
Além disso, o intercâmbio entre as casas espíritas facilita o surgimento e fortalecimento do sentimento de união e do senso de comunidade, necessário para que os nossos eventos em conjunto tenham maior número de participantes, com uma variedade maior de Centros representados. Aqueles que participam do processo de criação de um encontro, uma semana de palestras, um congresso têm em mente a importância dos temas tratados e, no caso das caravanas, o quanto o volume de participantes ajuda a aumentar a quantidade de donativos.
Mas aqueles que são convidados a participar nem sempre têm essa noção, menosprezando o trabalho ou não o aproveitando tanto quanto uma pessoa consciente da importância do debate feito. Às vezes até reconhecem isso, mas dão mais ênfase ao aspecto confraternativo, que é importante, mas deve ser considerado como mais uma face do evento. E às vezes só participam de um evento porque ele é realizado no Centro que frequentam, deixando de lado até a confraternização, por comodidade. Isso é notório quando se trata de semanas de palestras, como a Semana Espírita ou a SEJEST (Semana do Jovem Espírita no Tatuapé).
A USE precisa trabalhar de forma a chamar a atenção dos respectivos diretores de Departamentos das casas espíritas, a fim de que eles, ou um representante designado pelo Centro, participem das decisões sobre a escolha de temas para os eventos, mas não só para isso. Assim como os representantes dos Centros no Conselho Deliberativo não são meros garotos de recado, anotando os eventos e levando cópias dos balancetes e das atas.
É preciso criar uma agenda que capacite os iniciantes e faça os veteranos refletirem quanto aos nossos papéis como dirigentes do Centro que frequentamos e como agentes do movimento espírita. E para isso, precisamos trocar informações. Não só sobre nossas necessidades, mas também sobre o que podemos oferecer de subsídios para que os outros possam fazer melhor seu trabalho.
O DM USE Regional São Paulo criou em 2004 a Secretaria de Apoio às Mocidades, conhecida como SAM. Por que não fazer o mesmo com cada departamento?
Alguns podem se perguntar sobre como começar tal projeto. Se pararmos por alguns minutos e nos dispusermos a escrever sobre as necessidades de nossos departamentos, do Centro e do movimento espírita, encontraremos dezenas, se não centenas de temas para discussão.
Após essa tempestade mental, temos que aliar às idéias ações que possam atender à demanda, auxiliando dessa forma o fortalecimento da casas unidas como instituições e estreitando os laços entre nós.
Bezerra de Menezes nos fala sobre a necessidade de união entre os espíritas. Declara que ela é urgente, na medida em que todos devemos nos encarar como irmãos, mas ao mesmo tempo nos alerta sobre a pressa em concretizar tal fato. Alerta-nos que essa união deve vir de dentro de cada um de nós, a seu tempo. Mas deixa a responsabilidade de fazer despertar esse sentimento nos outros àqueles que vivenciam-no.
A USE, como entidade que prega justamente essa união, deve encontrar meios de promovê-la de fato na região em que atua. Esse é o nosso papel, sejamos membros da Diretoria ou representantes dos Centros.
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30/04/2006 20:00:00
ALGUNS TIPOS DE LEITURA INDICADOS PARA O DIRIGENTE ESPÍRITA
Paulo de Tarso disse, em uma de suas epístolas, que tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém, indicando dessa maneira a necessidade de conhecermos o mundo, mas não adotar seus valores indiscriminadamente. O que significa que devemos refletir sobre o conhecimento adquirido, para que ele faça parte de nosso repertório ou seja descartado conscientimente, e não rejeitado ou absorvido a priori.
Dessa meneira, encontramos n tipos de leituras indicados para os dirigentes espíritas aplicarem em suas rotinas no Centro. Aqui, vamos falar de alguns desses tipos.
Antes de tudo, Espiritismo
Uma pessoa que se disponha a conduzir uma reunião, dirigir um Departamento ou fazer parte da Comissão Executiva deve estudar as principais obras da Doutrina Espírita, a começar pelas obras de Kardec. Sem essa base, ela não terá condições mínimas para perceber se algo que foi dito em uma palestra ou reunião de estudo destoa dos princípios doutrinários.
O que não significa que ele deva tratar o companheiro equivocado como o demônio em sessão de exorcismo. Ele precisa conduzir a reunião de maneira a fazer o autor do comentário perceber o engano, sem magoá-lo, principalmente se é iniciante na Doutrina. O que nos leva a outro tipo de obra recomendada.
A diferença entre liderança e chefia
Em um meio como o movimento espírita, no qual a regra é o trabalho voluntário, os dirigentes devem se comportar de maneira a liderar pelo consenso e não impor suas idéias, como no período fascista-nazista-comunista e nas ditaduras das décadas de 60 e 70 do século 20. Nem têm com o que ameaçar os frequentadores e trabalhadores mais resistentes porque, ao contrário do mercado de trabalho, não há uma fila de potenciais substitutos esperando a oportunidade de colaborar nas fileiras espíritas.
É imprescindível que saibamos a diferença entre chefiar e liderar, e que no segundo caso, possamos mostrar claramente o objetivo da função que exercemos e das estratégias que adotarmos. Se as pessoas estiverem confusas a esse respeito, é porque nós mesmos não sabemos qual rumo devemos tomar. E uma liderança perdida é uma liderança ineficaz.
Por isso, são indicados livros sobre administração e liderança, para que possamos refletir sobre esses temas e possamos adequá-los ao nosso cotidiano. E com esse intercãmbio, estabelecer, quem sabe, um estilo de liderança espírita.
A arte de ensinar e aprender
Jesus tem como um de seus epípetos(“apelido”) Mestre. E, de uns tempos para cá, é considerado o psicólogo por excelência. O que siginifica que ele transmitia seus conhecimentos de forma agradável e compreensível e é profundo conhecedor da alma humana(tanto que em sua agonia na cruz, Ele pediu que nos perdoasse, porque não sabíamos o que estávamos fazendo).
Como palestrantes, evangelizadores e dirigentes de mocidade, temos que nos preparar não só estudando o tema, mas procurando maneiras mais ágeis e agradáveis de transmití-lo. Temos que adequar o conhecimento que temos ao público-alvo, de forma a evitar que ele se disperse. Essa dispersão pode ir da sonolência(que pode ter outros motivos além da maneira de apresentar o tema) às saídas constantes do recinto e à bagunça gerada pelas crianças que não foram cativadas pela apresentação.
Dinâmicas de grupo, vivências, cartazes, retroprojetores, flip-charts, vídeos, músicas, artes plásticas, dança, teatro, jogos de mesa e de salão adaptados para o desenvolvimento dos temas podem ser utilizados, desde que sejam adequados e estimulantes.
Nesse caso, livros sobre pedagogia, tanto geral como espírita, e apostilas com dinâmicas e vivências podem ajudar na elaboração dos estudos.
Estar no mundo, sem ser do mundo
Um dirigente que fique restrito às obras e publicações espíritas perde a oportunidade e o poder de análise de quem acompanha o noticiário e lê outras obras além das espíritas. Se verificarmos nos Prolegômenos, publicado no Livro dos Espíritos, iremos encontrar assinaturas de grandes nomes da filosofia, da literatura e da ciência humanas, dando aval à obra coordenada por Kardec.
Falamos com intimidade sobre Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Galileu, Erasto, Sócrates, Voltaire, Platão. Muitos desses espíritos deixaram obras de valor para a Humanidade. Mas quantos de nós nos debruçamos sobre elas e as analisamos sob a ótica espírita?
Quantos de nós têm uma sólida formação espírita, capaz de resistir à sedução da doutrina materialista de autores como Marx ou de niilistas como Nietszche ou Sartre?
Harold Bloomm, escritor britânico, nomeou Shakespeare como o “ inventor do humano”. Por que será? Uma análise superficial da obra do bardo inglês nos mostra situações em que há ciúme e inveja(Otelo), ganãncia(Macbeth), paixão(Romeu e Julieta), ingratidão(Rei Lear) e indecisão(Hamlet), o que constituem um painel das emoções negativas a que a Humanidade cede, podendo ser analisadas se não nas reuniões espíritas, pelos dirigentes em particular, a fim de aumentar seu repertório. Além disso, conhecer o estilo dos grandes escritores, mesmo que através de obras traduzidas, nos prepara para detectar tentativas de mistificação.
Mesmo que o dirigente não seja muito afeito à leitura fora do meio espírita, há várias adaptações para o cinema e a televisão de vários clássicos: O Primo Basílio e Os Maias, de Eça de Queirós; O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo; Grande Sertão: Veredas, de Graciliano Ramos; Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, além das adaptações para o cinema das obras de Shakespeare, já citadas, e muitas outras mais.
A formação do dirigente espírita
Existem duas fontes de divulgação do Espiritismo para as quais devemos atentar. A primeira é o nosso exemplo. E isso engloba a nossa capacitação para assumir cargos de direção de modo a fazer crescer a casa que frequentamos. E a outra são os livros, publicados aos montes todos os anos.
Mas como vimos, não podemos ficar restritos aos livros espíritas. Se não, ficaremos como alguns evangélicos que lêem a Bíblia e nada mais, fazendo uma interpretação literal de seus textos e estreitando sua visão de mundo.
Se tivermos estudado os clássicos do Espiritismo, teremos como separar o joio do trigo, pois o nosso repertório será mais amplo, e saberemos a quem consultar caso tenhamos dúvidas sobre conceitos doutrinários emitidos nas novas obras.
Da mesma maneira, se lermos os clássicos da literatura mundial, teremos condições de reconhecer o estilo de um autor, caso um médium psicografe obras usando sua assinatura.
Conhecendo os percalços que o mundo corporativo enfrenta, e comparando-os com aqueles que sofremos no dia-a-dia do Centro e do movimento, teremos uma oportunidade de fazer um trabalho melhor, mais profissional, sem que isso implique remuneração.
Sabendo utilizar as ferramentas pedagógicas para os grupos corretos, um tema tem mais chances de ser compreendido pelas pessoas, e de maneira mais agradável.
Ler tudo o que nos cair nas mãos; meditar sobre cada obra; aproveitar o que for possível. Parece coisa para enlouquecer qualquer um, dado o número de obras existentes no mundo. Mas basta deixar de ficar em frente à tevê alguns minutos por dia, quando não formos ao Centro. E não precisamos gastar com a compra desses livros. Se houver uma biblioteca pública no bairro, é só fazer a inscrição e aproveitar seu acervo. Se o Centro que você frequenta tem uma, inscreva-se e viaje pelos títulos espíritas.
Enviado por: Edgar USE
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29/04/2006 13:28:37
A IMPORTÃNCIA DA ESCOLHA DO REPRESENTANTE DO CENTRO
Segundo o dicionário Aurélio, representar significa, entre outras coisas, a) ser um exemplo ou caso concreto de; b) chefiar missão de(país, governo, INSTITUIÇÃO) junto a outro; c) ser procurador ou mandatário de; d) desempenhar o papel, as atribuições, as funções de representante. Para dar um exemplo, os embaixadores e cônsules são representantes de seus países em solo estrangeiro. Seu papel é tão significativo que eles podem, entre outras coisas, negociar tratados comerciais, declarar guerra(pelo menos até o século 19) e abrigar quem pedisse asilo político. Nos anos 60 e 70, quando pipocaram as ditaduras na América Latina e em outros países do Terceiro Mundo, os opositores dos regimes instalados que fossem perseguidos podiam recorrer às embaixadas e consulados, pois a polícia e o exército não poderiam invadir tais locais sem causar incidentes diplomáticos com os países representados, podendo chegar à guerra entre ambos caso isso acontecesse.
No movimento espírita, às vezes se ouve o comentário de que o representante do Centro junto ao órgão de unificação não passa de um figurante, simplesmente para marcar presença, e encarado como um garoto de recados que leva e traz informações sobre os eventos realizados de ambos os lados.
O Centro que assim procede esquece que é a partir dos representantes designados por eles que são compostas as chapas que poderão assumir a diretoria do órgão de unificação, assim como é dentre os sócios que são escolhidos os diretores da casa espírita. O fato de uma pessoa se dispor a contribuir não só financeiramente, mas com seu tempo para a realização dos trabalhos da entidade denota um comprometimento que o qualifica como potencial dirigente dela.
Em tese, o mesmo deve acontecer com o representante do centro na USE, seja ela Distrital, Municipal ou Intermunicipal, ou em um âmbito maior, na Regional ou na Estadual. O mebro do Conselho deve ser uma liderança reconhecida dentro da casa que representa, o que significa que deve estar não só qualificado como também autorizado pela entidade a tomar decisões nas reuniões do órgão de unificação, seja no Conselho Deliberativo, seja como diretor nas respectivas reuniôes de Departamentos.
Portanto, tais pessoas devem ser escolhidas criteriosamente, por mais difícil que seja em algumas casas encontrar pessoas dispostas ao trabalho no Centro, quanto mais no movimento espírita, que a maior parte das pessoas desconhece, ou entende mal.
Além da capacitação dos membros do Conselho, é imprescindível que haja um vínculo afetivo entre todos os membros, ou seja, amizade. Comparecer a uma reunião por pura obrigação faz com que coloquemos outros compromissos que nem sempre são tão urgentes como prioridades, em vez da condução do movimento espírita em nossa região.
A participação no movimento espírita me ajudou a ter uma percepção mais ampla da Doutrina Espírita. Foi o mote que possibilitou o surgimento de várias amizades, em diversos Centros, e que frearam minhas intenções de jogar tudo para o alto em momentos de crise. Eu, particularmente, não pensei no que as pessoas pensariam caso eu abandonasse o Centro do qual fui representante, ou até mesmo a Doutrina por conta dessas crises, mas sim na falta que essas pessoas fariam à minha vida.
Se a causa espírita fosse uma doença contagiosa, eu estudaria todos os meios possíveis de transmissão para causar uma epidemia na seara espírita, a fim de que não só os mais engajados, mas todos os membros de cada casa espírita, pudessem respirar tal ambiente. E que os doentes, em vez de procurar a cura, se dispusessem a disseminar esse "mal". Mas parece que as pessoas desenvolveram uma "vacina" para se imunizarem.
Resta a nós esperar que o tempo acabe com o prazo de validade de tal remédio e essas pessoas possam perceber o quão benéfico é esse "mal" do qual algumas casas se isolam como de alguém com uma doença fatal.
Para que se criem esses vínculos, é preciso que participemos de eventos fora de nossas bases e estimulemos nossos companheiros de Centro para que façam o mesmo. Além de ampliar horizontes, a participação no movimento espírita propicia o contato com membros de outros centro e a criação e fortalecimento de amizades. É um processo mais ou menos longo e varia de pessoa para pessoa. Para que não haja mal-entendidos, os potenciais líderes do movimento espírita devem calcar sua presença nos eventos no binômio amizade-aprendizado, de acordo com a instrução do Espírito de Verdade: "Espíritas: amai-vos, eis o primeiro mandamento; instruí-vos, eis o segundo".
Quando a comunidade espírita compreender essa lição, ela será muito mais forte e representativa em nossa sociedade, sem a necessidade do uso de fogos de artifício para chamar a atenção.
Enviado por: Edgar USE
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segunda-feira, 5 de maio de 2008
O caso Isabella e sua repercussão
O público vê o caso do assassinato de Isabella Nardoni como a morte de uma criança inocente por monstros inomináveis, e ainda mais chocante pelo fato de um dos envolvidos ser seu pai.
Mas, e no contexto espírita? Quais são as indagações? A criança terá expiado uma falta de outras encarnações, terá sido uma prova?
Voltando a outro famoso assassinato de criança, o de Yves Ota, observamos que, após o choque inicial da revelação dos envolvidos, os pais decidiram confrontar os assassinos, em especial o que era conhecido da família. E perdoá-lo de coração, apesar de não poder fazê-lo juridicamente. E fundaram uma associação pacifista, que busca a resolução dos conflitos sem violência, da qual eles foram vítimas.
Tanto Yves quanto seus pais estavam preparados para passar por essa prova, pois estes últimos poderiam ir ao extremo oposto, fazendo campanhas em favor da legalização da pena de morte, e talvez tivessem conseguido, pela comoção do fato ocorrido.
É preciso, além da prova e da expiação, levantar a hipótese de Isabella ter vindo como uma missionária. Apesar dos quase vinte anos de existência do Estatuto da Criança e do Adolescente, havia aspectos da vida social relevados à obscuridade, como os maus tratos às crianças.
Após o assassinato da menina, a sociedade passou a ter um olhar mais atento aos sinais que podiam indicar esse tipo de violência, surgindo aos borbotões casos de crianças acorrentadas pelos pais Brasil afora, e similares ocorrendo no exterior.
Assim como a lei Maria da Penha, que criminaliza a agressão à mulher, assim como o estatuto do idoso, motivado em parte devido à teledramaturgia, o ECA ressurge com mais força, graças ao tratamento de choque.
A sociedade passa a questionar as "punições educativas", como a palmada, que pode parecer leve para quem a dá, mas pode ser mortal para quem a recebe.
Independente da culpa do pai e da madrasta, o debate está lançado, repercutindo por todo o Brasil. E tomara que os pais pensem milhares de vezes antes de levantarem a mão para agredir uma criança, buscando alternativas.
Se essa era a missão de Isabella, creio que está plenamente cumprida.
Mas, e no contexto espírita? Quais são as indagações? A criança terá expiado uma falta de outras encarnações, terá sido uma prova?
Voltando a outro famoso assassinato de criança, o de Yves Ota, observamos que, após o choque inicial da revelação dos envolvidos, os pais decidiram confrontar os assassinos, em especial o que era conhecido da família. E perdoá-lo de coração, apesar de não poder fazê-lo juridicamente. E fundaram uma associação pacifista, que busca a resolução dos conflitos sem violência, da qual eles foram vítimas.
Tanto Yves quanto seus pais estavam preparados para passar por essa prova, pois estes últimos poderiam ir ao extremo oposto, fazendo campanhas em favor da legalização da pena de morte, e talvez tivessem conseguido, pela comoção do fato ocorrido.
É preciso, além da prova e da expiação, levantar a hipótese de Isabella ter vindo como uma missionária. Apesar dos quase vinte anos de existência do Estatuto da Criança e do Adolescente, havia aspectos da vida social relevados à obscuridade, como os maus tratos às crianças.
Após o assassinato da menina, a sociedade passou a ter um olhar mais atento aos sinais que podiam indicar esse tipo de violência, surgindo aos borbotões casos de crianças acorrentadas pelos pais Brasil afora, e similares ocorrendo no exterior.
Assim como a lei Maria da Penha, que criminaliza a agressão à mulher, assim como o estatuto do idoso, motivado em parte devido à teledramaturgia, o ECA ressurge com mais força, graças ao tratamento de choque.
A sociedade passa a questionar as "punições educativas", como a palmada, que pode parecer leve para quem a dá, mas pode ser mortal para quem a recebe.
Independente da culpa do pai e da madrasta, o debate está lançado, repercutindo por todo o Brasil. E tomara que os pais pensem milhares de vezes antes de levantarem a mão para agredir uma criança, buscando alternativas.
Se essa era a missão de Isabella, creio que está plenamente cumprida.
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