sábado, 24 de julho de 2010

Consciência política

É época de eleições no Brasil. Os candidatos saem às ruas, gravam seus programas para o horário eleitoral, fazem suas alianças. E nós, que não somos candidatos a nada, mas somos eleitores, espíritas ou não? O que temos com isso?
Desde a redemocratização, um dos tipos de notícia que mais saem na seção de política é a dos escândalos de corrupção no país. Mensalão, mensalinho, dinheiro na cueca, na meia, superfaturamento de obras, gravações de entrega de propinas no Jornal Nacional. É um cenário desanimador.
Para combater tanta corrupção no país, surgiu o projeto de lei Ficha Limpa, que impede pessoas com problemas na justiça de se lançarem candidatos. E nós, espíritas, com isso?
TUDO. Por quê? As eleições são uma oportunidade de declaramos o quanto estamos satisfeitos ou não com o trabalho de nossos representantes nas Assembléias Legislativas, nas Câmaras Municipais e na Federal, no Senado e dos nossos governantes, do prefeito ao presidente. E também o de demonstrarmos o quanto estamos atentos não só ao desempenho ou potencial político dos candidatos, mas de seu histórico ético.
Devemos atentar também para o posicionamento pessoal em relação a alguns temas, como o aborto. Sabemos que existe uma bancada no Congresso que defende a legalização do aborto, o que faz com que há quatro anos sejamos obrigados a fazer manifestações em praça pública para pressionar essa bancada a se retrair.
Se quisermos nos sentir representados e fazer com que os políticos eleitos se sintam observados, não basta acompanhar o noticiário; é preciso que tenhamos um relacionamento, digamos, direto, com essas pessoas. Isso significa receber mala direta deles, além de mandar mensagens periódicas, sinalizando que estamos de olho em seu desempenho.
Se queremos evitar que os políticos sejam corruptos, é nosso dever fiscalizá-los da melhor maneira possível. Afinal, não se trata somente do superfaturamento de uma obra ou do favorecimento de uma empresa em uma concorrência pública. É nosso dever, como cidadãos, tentar evitar que isso ocorra. Na pergunta 642 do Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se basta não fazer o mal para ser agradável a Deus. Os espíritos são veementes: é preciso fazer o bem no limite de nossas forças, pois cada um responderá por todo mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.
E, de acordo com isso, a seleção criteriosa dos candidatos para os quais vamos votar e o acompanhamento de suas carreiras é fundamental para que não erremos por omissão.
Acompanhe a campanha eleitoral, escolha seus candidatos e pesquise-os. Dessa forma, a cultura do "rouba mas faz", ou pior, "rouba e não faz" deve diminuir drasticamente. Mas este é um trabalho de gerações, não apenas de momento. E se começarmos o trabalho agora, nossos filhos e netos colherão os frutos. Talvez até mesmo nós mesmos reencarnados.