segunda-feira, 13 de julho de 2009

08/07/2006 14:37:19
UM PROJETO PARA O MOVIMENTO ESPÍRITA
Em um texto sobre a importância de se escolher bem os representantes do Centro, frisei a capacidade de liderança dessas pessoas. Mas a liderança, seja ela inata ou adquirida através de constantes exercícios e leituras, não é o único pré-requisito para ser selecionado o dirigente do movimento espírita. Existe, é claro, o fator disponibilidade: para dirigir as reuniões do órgão que coordena, para participar de reuniões similares em instâncias maiores, como da Distrital, Municipal ou Intermunicipal para a Regional e a Estadual e para as reuniões extras para organização de eventos.
Mas se deixar levar somente pela rotina administrativa é como se deixar levar pela correnteza. Se a equipe não está bem preparada e não tem um mapa, é bem possível que acabe chegando a uma cachoeira ou banco de areia, desapontando ou pondo em risco os companheiros de viagem.
Para que isso não ocorra, é necessário um projeto que oriente a equipe e que fique claro para os Centros Espíritas, que possa trazer benefícios para todos. É preciso ter em mente o que no meio empresarial é conhecido como missão da instituição.
Como a USE se divide internamente em diversos Departamentos que têm sua correlação nas casas espíritas, cada departamento deve encontrar sua missão primordial, que norteará suas ações, em consonância com a missão da própria entidade.
Dessa maneira, encontraremos meios de fortalecer a estrutura das casas ligadas a nós, focando as necessidades inerentes a cada subdivisão e propiciando um intercâmbio de idéias e experiências, que é, a meu ver, a essência desse trabalho.
Além disso, o intercâmbio entre as casas espíritas facilita o surgimento e fortalecimento do sentimento de união e do senso de comunidade, necessário para que os nossos eventos em conjunto tenham maior número de participantes, com uma variedade maior de Centros representados. Aqueles que participam do processo de criação de um encontro, uma semana de palestras, um congresso têm em mente a importância dos temas tratados e, no caso das caravanas, o quanto o volume de participantes ajuda a aumentar a quantidade de donativos.
Mas aqueles que são convidados a participar nem sempre têm essa noção, menosprezando o trabalho ou não o aproveitando tanto quanto uma pessoa consciente da importância do debate feito. Às vezes até reconhecem isso, mas dão mais ênfase ao aspecto confraternativo, que é importante, mas deve ser considerado como mais uma face do evento. E às vezes só participam de um evento porque ele é realizado no Centro que frequentam, deixando de lado até a confraternização, por comodidade. Isso é notório quando se trata de semanas de palestras, como a Semana Espírita ou a SEJEST (Semana do Jovem Espírita no Tatuapé).
A USE precisa trabalhar de forma a chamar a atenção dos respectivos diretores de Departamentos das casas espíritas, a fim de que eles, ou um representante designado pelo Centro, participem das decisões sobre a escolha de temas para os eventos, mas não só para isso. Assim como os representantes dos Centros no Conselho Deliberativo não são meros garotos de recado, anotando os eventos e levando cópias dos balancetes e das atas.
É preciso criar uma agenda que capacite os iniciantes e faça os veteranos refletirem quanto aos nossos papéis como dirigentes do Centro que frequentamos e como agentes do movimento espírita. E para isso, precisamos trocar informações. Não só sobre nossas necessidades, mas também sobre o que podemos oferecer de subsídios para que os outros possam fazer melhor seu trabalho.
O DM USE Regional São Paulo criou em 2004 a Secretaria de Apoio às Mocidades, conhecida como SAM. Por que não fazer o mesmo com cada departamento?
Alguns podem se perguntar sobre como começar tal projeto. Se pararmos por alguns minutos e nos dispusermos a escrever sobre as necessidades de nossos departamentos, do Centro e do movimento espírita, encontraremos dezenas, se não centenas de temas para discussão.
Após essa tempestade mental, temos que aliar às idéias ações que possam atender à demanda, auxiliando dessa forma o fortalecimento da casas unidas como instituições e estreitando os laços entre nós.
Bezerra de Menezes nos fala sobre a necessidade de união entre os espíritas. Declara que ela é urgente, na medida em que todos devemos nos encarar como irmãos, mas ao mesmo tempo nos alerta sobre a pressa em concretizar tal fato. Alerta-nos que essa união deve vir de dentro de cada um de nós, a seu tempo. Mas deixa a responsabilidade de fazer despertar esse sentimento nos outros àqueles que vivenciam-no.
A USE, como entidade que prega justamente essa união, deve encontrar meios de promovê-la de fato na região em que atua. Esse é o nosso papel, sejamos membros da Diretoria ou representantes dos Centros.

Enviado por: Edgar USE
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30/04/2006 20:00:00
ALGUNS TIPOS DE LEITURA INDICADOS PARA O DIRIGENTE ESPÍRITA
Paulo de Tarso disse, em uma de suas epístolas, que tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém, indicando dessa maneira a necessidade de conhecermos o mundo, mas não adotar seus valores indiscriminadamente. O que significa que devemos refletir sobre o conhecimento adquirido, para que ele faça parte de nosso repertório ou seja descartado conscientimente, e não rejeitado ou absorvido a priori.
Dessa meneira, encontramos n tipos de leituras indicados para os dirigentes espíritas aplicarem em suas rotinas no Centro. Aqui, vamos falar de alguns desses tipos.

Antes de tudo, Espiritismo
Uma pessoa que se disponha a conduzir uma reunião, dirigir um Departamento ou fazer parte da Comissão Executiva deve estudar as principais obras da Doutrina Espírita, a começar pelas obras de Kardec. Sem essa base, ela não terá condições mínimas para perceber se algo que foi dito em uma palestra ou reunião de estudo destoa dos princípios doutrinários.
O que não significa que ele deva tratar o companheiro equivocado como o demônio em sessão de exorcismo. Ele precisa conduzir a reunião de maneira a fazer o autor do comentário perceber o engano, sem magoá-lo, principalmente se é iniciante na Doutrina. O que nos leva a outro tipo de obra recomendada.

A diferença entre liderança e chefia
Em um meio como o movimento espírita, no qual a regra é o trabalho voluntário, os dirigentes devem se comportar de maneira a liderar pelo consenso e não impor suas idéias, como no período fascista-nazista-comunista e nas ditaduras das décadas de 60 e 70 do século 20. Nem têm com o que ameaçar os frequentadores e trabalhadores mais resistentes porque, ao contrário do mercado de trabalho, não há uma fila de potenciais substitutos esperando a oportunidade de colaborar nas fileiras espíritas.
É imprescindível que saibamos a diferença entre chefiar e liderar, e que no segundo caso, possamos mostrar claramente o objetivo da função que exercemos e das estratégias que adotarmos. Se as pessoas estiverem confusas a esse respeito, é porque nós mesmos não sabemos qual rumo devemos tomar. E uma liderança perdida é uma liderança ineficaz.
Por isso, são indicados livros sobre administração e liderança, para que possamos refletir sobre esses temas e possamos adequá-los ao nosso cotidiano. E com esse intercãmbio, estabelecer, quem sabe, um estilo de liderança espírita.

A arte de ensinar e aprender
Jesus tem como um de seus epípetos(“apelido”) Mestre. E, de uns tempos para cá, é considerado o psicólogo por excelência. O que siginifica que ele transmitia seus conhecimentos de forma agradável e compreensível e é profundo conhecedor da alma humana(tanto que em sua agonia na cruz, Ele pediu que nos perdoasse, porque não sabíamos o que estávamos fazendo).
Como palestrantes, evangelizadores e dirigentes de mocidade, temos que nos preparar não só estudando o tema, mas procurando maneiras mais ágeis e agradáveis de transmití-lo. Temos que adequar o conhecimento que temos ao público-alvo, de forma a evitar que ele se disperse. Essa dispersão pode ir da sonolência(que pode ter outros motivos além da maneira de apresentar o tema) às saídas constantes do recinto e à bagunça gerada pelas crianças que não foram cativadas pela apresentação.
Dinâmicas de grupo, vivências, cartazes, retroprojetores, flip-charts, vídeos, músicas, artes plásticas, dança, teatro, jogos de mesa e de salão adaptados para o desenvolvimento dos temas podem ser utilizados, desde que sejam adequados e estimulantes.
Nesse caso, livros sobre pedagogia, tanto geral como espírita, e apostilas com dinâmicas e vivências podem ajudar na elaboração dos estudos.

Estar no mundo, sem ser do mundo
Um dirigente que fique restrito às obras e publicações espíritas perde a oportunidade e o poder de análise de quem acompanha o noticiário e lê outras obras além das espíritas. Se verificarmos nos Prolegômenos, publicado no Livro dos Espíritos, iremos encontrar assinaturas de grandes nomes da filosofia, da literatura e da ciência humanas, dando aval à obra coordenada por Kardec.
Falamos com intimidade sobre Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Galileu, Erasto, Sócrates, Voltaire, Platão. Muitos desses espíritos deixaram obras de valor para a Humanidade. Mas quantos de nós nos debruçamos sobre elas e as analisamos sob a ótica espírita?
Quantos de nós têm uma sólida formação espírita, capaz de resistir à sedução da doutrina materialista de autores como Marx ou de niilistas como Nietszche ou Sartre?
Harold Bloomm, escritor britânico, nomeou Shakespeare como o “ inventor do humano”. Por que será? Uma análise superficial da obra do bardo inglês nos mostra situações em que há ciúme e inveja(Otelo), ganãncia(Macbeth), paixão(Romeu e Julieta), ingratidão(Rei Lear) e indecisão(Hamlet), o que constituem um painel das emoções negativas a que a Humanidade cede, podendo ser analisadas se não nas reuniões espíritas, pelos dirigentes em particular, a fim de aumentar seu repertório. Além disso, conhecer o estilo dos grandes escritores, mesmo que através de obras traduzidas, nos prepara para detectar tentativas de mistificação.
Mesmo que o dirigente não seja muito afeito à leitura fora do meio espírita, há várias adaptações para o cinema e a televisão de vários clássicos: O Primo Basílio e Os Maias, de Eça de Queirós; O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo; Grande Sertão: Veredas, de Graciliano Ramos; Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, além das adaptações para o cinema das obras de Shakespeare, já citadas, e muitas outras mais.

A formação do dirigente espírita
Existem duas fontes de divulgação do Espiritismo para as quais devemos atentar. A primeira é o nosso exemplo. E isso engloba a nossa capacitação para assumir cargos de direção de modo a fazer crescer a casa que frequentamos. E a outra são os livros, publicados aos montes todos os anos.
Mas como vimos, não podemos ficar restritos aos livros espíritas. Se não, ficaremos como alguns evangélicos que lêem a Bíblia e nada mais, fazendo uma interpretação literal de seus textos e estreitando sua visão de mundo.
Se tivermos estudado os clássicos do Espiritismo, teremos como separar o joio do trigo, pois o nosso repertório será mais amplo, e saberemos a quem consultar caso tenhamos dúvidas sobre conceitos doutrinários emitidos nas novas obras.
Da mesma maneira, se lermos os clássicos da literatura mundial, teremos condições de reconhecer o estilo de um autor, caso um médium psicografe obras usando sua assinatura.
Conhecendo os percalços que o mundo corporativo enfrenta, e comparando-os com aqueles que sofremos no dia-a-dia do Centro e do movimento, teremos uma oportunidade de fazer um trabalho melhor, mais profissional, sem que isso implique remuneração.
Sabendo utilizar as ferramentas pedagógicas para os grupos corretos, um tema tem mais chances de ser compreendido pelas pessoas, e de maneira mais agradável.
Ler tudo o que nos cair nas mãos; meditar sobre cada obra; aproveitar o que for possível. Parece coisa para enlouquecer qualquer um, dado o número de obras existentes no mundo. Mas basta deixar de ficar em frente à tevê alguns minutos por dia, quando não formos ao Centro. E não precisamos gastar com a compra desses livros. Se houver uma biblioteca pública no bairro, é só fazer a inscrição e aproveitar seu acervo. Se o Centro que você frequenta tem uma, inscreva-se e viaje pelos títulos espíritas.



Enviado por: Edgar USE
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29/04/2006 13:28:37
A IMPORTÃNCIA DA ESCOLHA DO REPRESENTANTE DO CENTRO
Segundo o dicionário Aurélio, representar significa, entre outras coisas, a) ser um exemplo ou caso concreto de; b) chefiar missão de(país, governo, INSTITUIÇÃO) junto a outro; c) ser procurador ou mandatário de; d) desempenhar o papel, as atribuições, as funções de representante. Para dar um exemplo, os embaixadores e cônsules são representantes de seus países em solo estrangeiro. Seu papel é tão significativo que eles podem, entre outras coisas, negociar tratados comerciais, declarar guerra(pelo menos até o século 19) e abrigar quem pedisse asilo político. Nos anos 60 e 70, quando pipocaram as ditaduras na América Latina e em outros países do Terceiro Mundo, os opositores dos regimes instalados que fossem perseguidos podiam recorrer às embaixadas e consulados, pois a polícia e o exército não poderiam invadir tais locais sem causar incidentes diplomáticos com os países representados, podendo chegar à guerra entre ambos caso isso acontecesse.

No movimento espírita, às vezes se ouve o comentário de que o representante do Centro junto ao órgão de unificação não passa de um figurante, simplesmente para marcar presença, e encarado como um garoto de recados que leva e traz informações sobre os eventos realizados de ambos os lados.

O Centro que assim procede esquece que é a partir dos representantes designados por eles que são compostas as chapas que poderão assumir a diretoria do órgão de unificação, assim como é dentre os sócios que são escolhidos os diretores da casa espírita. O fato de uma pessoa se dispor a contribuir não só financeiramente, mas com seu tempo para a realização dos trabalhos da entidade denota um comprometimento que o qualifica como potencial dirigente dela.

Em tese, o mesmo deve acontecer com o representante do centro na USE, seja ela Distrital, Municipal ou Intermunicipal, ou em um âmbito maior, na Regional ou na Estadual. O mebro do Conselho deve ser uma liderança reconhecida dentro da casa que representa, o que significa que deve estar não só qualificado como também autorizado pela entidade a tomar decisões nas reuniões do órgão de unificação, seja no Conselho Deliberativo, seja como diretor nas respectivas reuniôes de Departamentos.

Portanto, tais pessoas devem ser escolhidas criteriosamente, por mais difícil que seja em algumas casas encontrar pessoas dispostas ao trabalho no Centro, quanto mais no movimento espírita, que a maior parte das pessoas desconhece, ou entende mal.

Além da capacitação dos membros do Conselho, é imprescindível que haja um vínculo afetivo entre todos os membros, ou seja, amizade. Comparecer a uma reunião por pura obrigação faz com que coloquemos outros compromissos que nem sempre são tão urgentes como prioridades, em vez da condução do movimento espírita em nossa região.

A participação no movimento espírita me ajudou a ter uma percepção mais ampla da Doutrina Espírita. Foi o mote que possibilitou o surgimento de várias amizades, em diversos Centros, e que frearam minhas intenções de jogar tudo para o alto em momentos de crise. Eu, particularmente, não pensei no que as pessoas pensariam caso eu abandonasse o Centro do qual fui representante, ou até mesmo a Doutrina por conta dessas crises, mas sim na falta que essas pessoas fariam à minha vida.

Se a causa espírita fosse uma doença contagiosa, eu estudaria todos os meios possíveis de transmissão para causar uma epidemia na seara espírita, a fim de que não só os mais engajados, mas todos os membros de cada casa espírita, pudessem respirar tal ambiente. E que os doentes, em vez de procurar a cura, se dispusessem a disseminar esse "mal". Mas parece que as pessoas desenvolveram uma "vacina" para se imunizarem.

Resta a nós esperar que o tempo acabe com o prazo de validade de tal remédio e essas pessoas possam perceber o quão benéfico é esse "mal" do qual algumas casas se isolam como de alguém com uma doença fatal.

Para que se criem esses vínculos, é preciso que participemos de eventos fora de nossas bases e estimulemos nossos companheiros de Centro para que façam o mesmo. Além de ampliar horizontes, a participação no movimento espírita propicia o contato com membros de outros centro e a criação e fortalecimento de amizades. É um processo mais ou menos longo e varia de pessoa para pessoa. Para que não haja mal-entendidos, os potenciais líderes do movimento espírita devem calcar sua presença nos eventos no binômio amizade-aprendizado, de acordo com a instrução do Espírito de Verdade: "Espíritas: amai-vos, eis o primeiro mandamento; instruí-vos, eis o segundo".

Quando a comunidade espírita compreender essa lição, ela será muito mais forte e representativa em nossa sociedade, sem a necessidade do uso de fogos de artifício para chamar a atenção.


Enviado por: Edgar USE
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