No dia 20 de março de 2010, tive a oportunidade de participar da passeata em favor da vida em São Paulo. Nos reunimos em frente à Câmara Municipal e de lá rumamos para a Praça da Sé.
Enquanto esperava, observei os diversos grupos se organizando. Alguns tinham feito camisetas para o evento, faixas, cartazes. Muitos estavam com apitos e bandeiras. Palavras de ordem foram divulgadas para que nós as proferissemos.
Quando se aproximava a hora, as grávidas e pessoas com crianças de colo foram convidadas a formar a comissão de frente da passeata.
O trajeto, que leva de dez a quinze minutos a pé, levou quase uma hora para chegar ao destino. A comissão de frente subiu ao palco junto com as autoridades e o local estava tomado pelo público que foi dizer não ao aborto. A impressão que tive foi que havia muito mais pessoas na 4a edição do que em anos anteriores, quando havia um grande buraco no meio da praça.
Apesar disso, me senti sozinho na multidão. O motivo? Encontrei muito menos espíritas este ano do que nos outros. Pela USE Tatuapé, apenas eu mais três representantes estivemos presentes. Vi pouquíssimos conhecidos de outras regiões. Havia se divulgado que os espíritas fariam a concentração em frente ao prédio da FEESP. Não vi ninguém saindo de lá para acompanhar a manifestação. Não vi também o grupo de um dos mais conhecidos Centros espíritas de São Paulo, o Perseverança, que teve uma presença expressiva no ano passado.
Quando refletia, frustrado com a baixa participação espírita deste ano, me veio à mente a famosa frase do dramaturgo alemão Bertolt Brecht: "há homens que lutam um dia e são bons... mas há aqueles que lutam a vida toda. Esses são imprescindíveis".
Por isso, gostaria de fazer uma comparação entre os diversos grupos religiosos (especialmente o católico) e a participação espírita desde que começaram as manifestações.
Em primeiro lugar, as caravanas católicas vieram de diversas partes do Estado. Vi grupos de Jacareí, São José dos Campos. Caraguatatuba, entre outros. Durante o evento, o locutor disse que havia uma caravana de quarenta ônibus vindos de outra cidade.Entre os espíritas, vejo apenas moradores da Grande São Paulo, e em número reduzido.
Paróquias inteiras são convocadas a participar. Entre os espíritas, quando muito, os dirigentes vêm, e para fazer volume.
Os grupos vêm preparados, com camisetas, folhetos, pinturas no rosto, faixas. E nós? quando muito, com um adesivo fornecido por outros grupos. E a visão espírita do aborto? Quantas mensagens, artigos e obras sobre o assuntos há na literatura espírita, que poderiam ser aproveitados para esclarecer a população?
Os representantes católicos estão em maioria, estáveis ou em crescimento nas manifestações. Quanto aos demais grupos religiosos, houve uma participação pífia dos espíritas (já citada) e dos evangélicos. Não percebi a presença da comunidade judaica nem da islâmica este ano.
A que se deve isso? Provavelmente a uma sensação de rotina, uma espécie de cansaço que tomou conta dos grupos pró-vida. Para essas pessoas, que ouvem falar desse movimento e chegaram a participar de outras manifestações, a pergunta que elas se fazem é: de novo?
A questão 642 do Livro dos Espíritos nos convoca a praticar o bem na medida de nossas forças. Físicas, psicológicas, econômicas, não importa. Entretanto, como vemos, estamos longe de adotar esse mandamento como estilo de vida. As menores contrariedades da vida e a simples preguiça são capazes de nos afastar dos nossos deveres, como a de defender o direito de outros espíritos encarnarem.
Duas semanas antes, em uma reunião pública, um frequentador disse que poderíamos sofrer as consequências da legalização do aborto em encarnações futuras. Não necessariamente como expiação por nos omitirmos em relação a essa guerra, que ainda não acabou. Pode ser simplesmente por livre-arbítrio de nossos ex-futuros pais na próxima encarnação - caso a lei seja aprovada.
Muitos participam do comício e não voltam a pensar no assunto, até que são surpreendidos com a convocação para um novo evento - e podem participar ou não. Mas temos que considerar o outro lado - os defensores do aborto. Só que mutas vezes esse grupo o defende como primeira - ou única - opção de método contraceptivo.
Há maneiras de se fazer o planejamento familiar que não precisam chegar ao aborto como solução. E caso a mãe não tenha condições ou não queira ficar com a criança, deve haver meios de se facilitar a adoção.
Enquanto houver um grupo ativo fazendo lobby no Congresso Nacional pela sua aprovação, o movimento em favor da vida não pode esmorecer, esvaziar-se. Porque quando não nos importarmos mais, eles terão a chance de atingir seus objetivos, sejam eles baseados em boas intenções ou não.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário